Projeto mostra a obra do cineasta Claude Lelouch com entrada gratuita
Veruchka Fabre
Claude Lelouch, que foi premiado com a Palma de Ouro em Cannes quando tinha apenas 29 anos, é um dos mais populares cineastas franceses e está sendo homenageado pelo projeto Cinema da República. A mostra é exibida, desde o dia 19 e vai até 29 deste mês, no auditório 2 do Museu Nacional da República. A entrada é gratuita.
O cinema de Claude Lelouch é a terceira mostra realizada pelo projeto Cinema da República – as outras duas foram A Escola de Lodz (exibindo filmes de diretores poloneses) e Cinema Experimental em Perspectiva (apresentou filmes inéditos percorrendo a história do cinema de experimentação). Este projeto se concentra num realizador que tem, acima de tudo, muita personalidade.
Lelouch já foi acusado, por parte da crítica, de pensar mais na bilheteria do que no assunto de seus filmes, que confessadamente se diz interessado em vasculhar o sentimento humano. O realizador Claude Lelouch divide opiniões. O autor do já clássico Um Homem, Uma Mulher, com o charmoso casal central de atores, Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant, está sendo homenageado com um amplo painel.
A obra de Claude Lelouch possui características inconfundíveis. Para começar, o próprio Lelouch manipula a câmera. Outro ponto em comum é seu fascínio pela música e pelas tramas amorosas. A paixão move boa parte das histórias e a trilha sonora muitas vezes ganha vida própria, como em Retratos da Vida (1981), filme responsável por popularizar o “Bolero” de Ravel, numa antológica cena em que o bailarino Jorge Donn executa coreografia de Maurice Béjart, em frente à Torre Eiffel.
Os títulos selecionados oferecem uma imersão neste cinema regido pelo espírito da vontade e da curiosidade. Estão na programação desde Um Homem, Uma Mulher, o filme de 1966 que consagrou Claude Lelouch no concorrido universo cinematográfico mundial, até o recente A Coragem de Amar, de 2005, que voltou a acender o interesse do público e da crítica pelo cinema do realizador, passando por preciosidades como Mulheres e Homens: modo de usar, de 1996, inédito no circuito comercial brasileiro. No total, serão dez títulos que percorrem todas as décadas de produção de Lelouch.
Dirigiu mais de 50 filmes
Filho de um confeiteiro judeu argelino, nascido em Paris em 1937, o cineasta foi uma das grandes promessas da geração da nouvelle vague francesa na virada dos anos 50 para os 60. Mas tinha uma formação diferente de intelectuais atuantes na crítica como François Truffaut e Jean-Luc Godard. Artesão precoce, aos 18 anos, partiu para a então União Soviética, onde rodou documentários de viagem, acumulando as funções de fotógrafo e diretor. Quando retornou à França, seguiu realizando filmes de atualidades e curtas musicais. Tinha apenas 23 anos quando lançou seu primeiro longa, Aquilo que é Próprio do Homem, em 1960.
Os documentários filmados por Lelouch na ex-URSS, com a câmera escondida sob o casaco, serviram para construir um olhar profissional do futuro realizador de videoclipes, num formato precursor que ainda não levava esse nome. Amante das disputas desportivas, Lelouch filmou, por exemplo, o Tour de France e às 24 horas de Les Mans. Desse universo nasceu o perfil do personagem de Trintignant, um piloto de corridas em Um Homem, uma Mulher, filme que utiliza cenas recicladas do curta sobre Les Mans. Outra curiosidade diz respeito ao Mustang que o ator dirige no filme e que foi usada como uma espécie de merchandising, numa primeira demonstração do tino comercial do diretor. Esta fórmula foi repetida muitas vezes para atrair investimentos. No curta C’Était un Rendez-Vous, de 1976, uma Ferrari é conduzida a toda velocidade pelas ruas de Paris. Mas, muito mais do que uma jogada publicitária, o curta é cinema em estado puro.
Claude Lelouch sabe aliar as características de diretor e produtor. Como cineasta, declara abertamente algumas preferências. A primeira dela diz respeito à opção pela temática do homem comum, seus sonhos e frustrações. Em geral, são também roteiros escritos por ele mesmo – há ainda casos de adaptações, como do clássico Os Miseráveis (1995), de Victor Hugo.
Outro hábito é trabalhar sempre com um mesmo grupo de atores. Mas é no elenco feminino que se nota sua predileção em manter uma equipe coesa. Lelouch casou-se com algumas de suas atrizes e tem hoje sete filhos de três casamentos. Ele assina mais de 50 filmes como diretor, escreveu o roteiro de 42, produziu 28, atuou em outros 4 títulos e está em fase de pós-produção de Ces amours là, nova parceria com a atriz Anouk Aimée, prevista para lançamento em 2010.
Programação
Terça, 24/11, as 19h: Há dias de lua cheia. Classificação 12 anos.
Quarta, 25/11, 19h: A coragem de amar. Classificação 12 anos.
Quinta, 26/11, 19h: O bom e os maus. Classificação 14 anos.
Sexta, 27/11, 19h: Tudo isso pra isso? Classificação 12 anos.
Sábado, 28/11, 19h: Atenção bandidos! Classificação 12 anos.
Domingo, 29/11, 18h: Sorte ou coincidência. Classificação 12 anos.
O Cinema de Claude Lelouch
De 24 a 19/11, no Museu Nacional da República, localizado no Setor Cultural Sul, lote 28, Brasília-DF.
Entrada franca.
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